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http://repositorio.uem.br:8080/jspui/handle/1/9589| Autor(es): | Machado, Gustavo Joaquim Marques Martins |
| Orientador: | Freitas, Sylvia Mara Pires de |
| Título: | Do sintoma ao projeto : uma leitura sartriana do adoecimento psicossomático |
| Banca: | Bloc, Lucas Guimaraes |
| Banca: | Silva, Luciano Donizetti da |
| Banca: | Bocca, Marivania Cristina |
| Banca: | Perius, Cristiano |
| Palavras-chave: | Existencialismo;Fenomenologia;Adoecimento;Psicologia;Psicossomática |
| Data do documento: | 2025 |
| Editor: | Universidade Estadual de Maringá |
| Citação: | MACHADO, Gustavo Joaquim Marques Martins. Do sintoma ao projeto: uma leitura sartriana do adoecimento psicossomático. 2025. 149 f. Tese (doutorado em Psicologia) - Universidade Estadual de Maringá, 2025, Maringá, PR. |
| Abstract: | RESUMO: As concepções históricas da psicossomática nos induzem a entender o indivíduo de forma dualística, como se fosse constituído por duas partes (corpo e mente). Desde a antiguidade, até o século XIX - quando o termo Psicossomática é utilizado pela primeira vez - objetivouse compreender como alguns sintomas físicos sem alterações biológicas claras poderiam surgir em determinados indivíduos. A explicação mais comum dizia que tais alterações poderiam advir de certos tipos de emoções, manifestando-se desde dores corpóreas até mudanças metabólicas - muitas vezes dando a impressão de uma explicação causal. No entanto, para Sartre, corpo e consciência não podem ser entendidos de modo dicotomizado, dessa forma as emoções não são compreendidas como entidades metafísicas, nem como pura alteração bioquímica, mas como um modo de ser da consciência que posiciona o indivíduo, em sua integralidade, frente ao mundo. Diante disto, buscamos investigar como a psicossomática pode ser compreendida pela fenomenologia-existencial, mais precisamente pelo pensamento de Jean-Paul Sartre. Para tanto, no caminho percorrido, utilizamos a metodologia do estado da arte, analisando as concepções históricas sobre a Psicossomática. Em seguida, buscamos analisá-la pela perspectiva existencialista. Até o presente momento, verificamos que noções clássicas da psicossomática entendem a experiência do adoecimento de maneira fragmentada. Sartre, por seu turno, nos permite repensar essa questão, deslocando o foco da causalidade linear entre mente e corpo para uma compreensão do adoecimento enquanto expressão de um projeto existencial. O indivíduo pode encontrar obstáculos que compliquem a realização de seu projeto de ser, e a dificuldade em lidar com a contradição entre o que espera e o que realiza pode ser expressa por meio do adoecimento. Assim, podemos considerar, até o momento, que o fenômeno do adoecimento psicossomático pode ser melhor compreendido não como uma dissociação entre mente e corpo, mas como uma manifestação integrada da existência do sujeito em seu mundo. Essa perspectiva implica reconhecer que o adoecimento psicossomático é indissociável da liberdade do sujeito e de seu modo singular de se relacionar com sua história, com seus limites e com suas escolhas. O corpo, aqui, não é mero receptor de forças inconscientes ou externas, mas expressão concreta de um modo de ser que se inscreve no mundo por meio de um projeto. Tal entendimento convoca a clínica psicológica - especialmente a psicoterapia - a abandonar uma postura meramente sintomatológica ou interpretativa, para abrir-se à escuta da biografia vivida e encarnada do sujeito. Isso significa acolher o sofrimento como modo de ser-no-mundo, e compreender que sintomas psicossomáticos podem se constituir como formas concretas de má-fé, formas nas quais a liberdade, embora recusada, se expressa. A reconstrução narrativa da própria existência, nesse contexto, não visa apenas compreender causas, mas possibilitar que o sujeito se aproprie de sua história, assuma sua liberdade e reinscreva seu projeto de ser em novos horizontes de sentido conforme suas possibilidades ABSTRACT: The historical conceptions of psychosomatics lead us to understand the individual in a dualistic way, as if composed of two separate parts (body and mind). From antiquity until the nineteenth century-when the term Psychosomatics was first employed-there was an effort to explain how certain physical symptoms without clear biological alterations could arise in some individuals. The most common explanation held that such symptoms resulted from certain kinds of emotions, manifesting in bodily pain or metabolic changes, often suggesting a causal link. For Sartre, however, body and consciousness cannot be understood in a dichotomized manner. Emotions are neither metaphysical entities nor mere biochemical changes; rather, they are a mode of being of consciousness that situates the individual, in their wholeness, before the world. In this regard, we aim to investigate how psychosomatics can be understood through existential-phenomenology, specifically in the thought of Jean- Paul Sartre. To this end, we employed a state-of-the-art methodology, first analyzing the historical conceptions of Psychosomatics, and then examining it from an existentialist perspective. So far, we have found that classical notions of psychosomatics interpret illness in a fragmented way. Sartre, in contrast, allows us to rethink this issue by shifting the focus from a linear causality between mind and body to an understanding of illness as na expression of an existential project. The individual may encounter obstacles that hinder the realization of their project of being, and the difficulty in dealing with the contradiction between expectations and actualization may be expressed through illness. Thus, psychosomatic illness may be better understood not as a dissociation between mind and body but as an integrated manifestation of existence in the world. This perspective implies that psychosomatic illness is inseparable from the subject's freedom and their singular way of relating to their history, limitations, and choices. Here, the body is not a mere recipient of unconscious or external forces, but a concrete expression of a mode of being inscribed in the world through a project. Such an understanding calls psychological practice-especially psychotherapy-to move beyond a merely symptom-oriented or interpretative approach and to open itself to the lived and embodied biography of the subject. This means welcoming suffering as a mode of being-in-the-world and recognizing that psychosomatic symptoms may constitute concrete forms of bad faith, in which freedom, though denied, is still expressed. Within this context, the narrative reconstruction of existence does not merely seek to trace causes, but enables the subject to reclaim their history, assume their freedom, and reconfigure their project of being toward new horizons of meaning within their possibilities |
| Descrição: | Orientador: Prof.ª Dr.ª Sylvia Mara Pires de Freitas Tese (doutorado em Psicologia) - Universidade Estadual de Maringá, 2025 |
| URI: | http://repositorio.uem.br:8080/jspui/handle/1/9589 |
| Aparece nas coleções: | 3.6 Tese - Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH) |
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