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dc.contributor.advisorLibanori, Evely Vâniapt_BR
dc.contributor.authorBueno, Kelly Lucianapt_BR
dc.date.accessioned2026-03-17T13:13:54Z-
dc.date.available2026-03-17T13:13:54Z-
dc.date.issued2025pt_BR
dc.identifier.citationBUENO, Kelly Luciana. Ética animal, canibalismo e violência institucional em Cadáver exquisito, de Agustina Bazterrica. 2025. 143 f. Tese (doutorado em Letras) - Universidade Estadual de Maringá, 2026, Maringá, PR.pt_BR
dc.identifier.urihttp://repositorio.uem.br:8080/jspui/handle/1/9689-
dc.descriptionOrientador: Profa. Dra. Evely Vânia Libanori.pt_BR
dc.descriptionTese (doutorado em Letras) - Universidade Estadual de Maringá, 2026pt_BR
dc.description.abstractResumo: A maneira como os seres humanos tratam os animais não humanos não deve ser compreendida de forma isolada, mas sim como reflexo dos valores e princípios que, historicamente, têm moldado a nossa sociedade. Concepções teológicas e filosóficas afirmaram a ideia de que os animais não humanos existem para servir aos interesses humanos, reforçada por pensamentos que os consideram seres sem alma, consciência e sensibilidade. Essa visão reduziu os animais a meros objetos funcionais, aptos à exploração sem qualquer consideração moral, consolidando o paradigma especista, ou seja, a crença de que a espécie humana é superior às demais e, portanto, tem o direito de explorá-las. Felizmente, a partir do final do século XX, começaram a emergir correntes filosóficas e éticas que contestam essa hierarquia e questionam profundamente o especismo. Essas vozes abrem caminho para uma nova compreensão da relação entre humanos e animais, baseada no respeito, na compaixão e no reconhecimento da dignidade das demais formas de vida. Cadáver Exquisito (2017), da escritora argentina Agustina Bazterrica, apresenta, por meio de uma narrativa distópica, uma potente possibilidade de análise da condição dos animais em nossa sociedade. A obra, situada em um cenário distópico, retrata um mundo onde um vírus misterioso extermina os animais e leva os humanos a legalizarem o consumo de carne humana. A narrativa projeta uma sociedade que, diante da impossibilidade de consumir carne animal, naturaliza o canibalismo, revelando os limites da ética, da compaixão e da própria humanidade. O estudo parte da premissa de que a literatura é um espaço de experimentação estética e ética, capaz de provocar deslocamentos de pensamento e questionamentos profundos sobre a realidade. Ao imaginar um mundo no qual corpos humanos passam a ocupar os espaços tradicionalmente destinados aos animais não humanos, como os matadouros, os currais e os frigoríficos, a obra escancara a lógica de exploração e objetificação à qual os animais não humanos são submetidos cotidianamente. Destaca-se, ainda, a conexão entre fêmeas humanas e não humanas, ambas tratadas como objetos reprodutivos e consumíveis. Assim, por meio da análise interpretativa, busca-se compreender as estruturas de dominação e exploração que permeiam essas relações, evidenciando as conexões entre opressão de gênero, especismo, o mal banalizado e práticas sociais violentas tanto na obra quanto em nossa sociedade. Organizada em quatro capítulos, a pesquisa aborda inicialmente a história da relação entre humanos e animais não humanos, apresentando as principais correntes éticas que sustentam tanto a visão especista quanto as perspectivas abolicionistas. Em seguida, investiga-se como o romance tensiona a moralidade do consumo de carne ao imaginar a legalização do canibalismo, revelando as estratégias de normalização, controle e manipulação que legitimam essa prática. O terceiro capítulo analisa o processo de banalização do mal presente na narrativa, explorando como a violência extrema se torna aceitável por meio de seu enquadramento institucional. Já o quarto capítulo se debruça sobre a condição das fêmeas humanas e não humanas, discutindo como a obra entrelaça a exploração dos corpos femininos com a objetificação da natureza, evidenciando as interseções entre machismo, especismo e capitalismo. Para alcançar tais objetivos, a metodologia adotada é a exposição e análise da obra em destaque, sob argumentos e teorias desenvolvidas por autores como Carol Adams (2018), Hannah Arendt (2010), Peter Singer (2010), Sônia T. Felipe (2012), entre outros.pt_BR
dc.description.abstractAbstract: The way human beings treat non-human animals should not be understood in isolation, but rather as a reflection of the values and principles that have historically shaped our society. Theological and philosophical conceptions have asserted the idea that non-human animals exist to serve human interests, a notion reinforced by beliefs that regard them as beings without soul, consciousness, or sensitivity. This perspective has reduced non-human animal to mere functional objects, suitable for exploitation without any moral consideration, thereby consolidating the speciesist paradigm, that is, the belief that the human species is superior to all others and therefore entitled to exploit them. Fortunately, since the late twentieth century, philosophical and ethical movements have emerged that challenge this hierarchy and profoundly question speciesism. These voices pave the way for a new understanding of the relationship between humans and non-human animals based on respect, compassion, and the recognition of the dignity of other forms of life. Tender is the flesh (2017), by the Argentine writer Agustina Bazterrica, presents, through a dystopian narrative, a powerful possibility for analyzing the condition of non-human animals in our society. The novel, set in a dystopian scenario, depicts a world where a mysterious virus exterminates non-human animals and leads humans to legalize the consumption of human flesh. The narrative projects a society that, faced with the impossibility of consuming animal meat, normalizes cannibalism, exposing the limits of ethics, compassion, and humanity itself. This study is based on the premise that literature is a space for aesthetic and ethical experimentation, capable of provoking shifts in thought and deep questioning of reality. By imagining a world in which human bodies occupy spaces traditionally reserved for non-human animals-such as slaughterhouses, pens, and meatpacking plants- the work exposes the logic of exploitation and objectification to which non-human animals are daily subjected. It also highlights the connection between human and non-human females, both treated as reproductive and consumable objects. Through interpretative analysis, the study seeks to understand the structures of domination and exploitation that permeate these relationships, revealing the connections between gender oppression, speciesism, the normalization of evil, and violent social practices, both in the novel and in contemporary society. Organized into four chapters, the research initially discusses the historical relationship between humans and non-human animals, presenting the main ethical frameworks that support both the speciesist perspective and abolitionist approaches. It then examines how the novel challenges the morality of meat consumption by imagining the legalization of cannibalism, revealing the strategies of normalization, control, and manipulation that legitimize such practices. The third chapter analyzes the process of banalization of evil present in the narrative, exploring how extreme violence becomes acceptable through institutional framing. The fourth chapter focuses on the condition of human and non-human females, discussing how the novel intertwines the exploitation of female bodies with the objectification of nature, highlighting the intersections among sexism, speciesism, and capitalism. To achieve these objectives, the methodology adopted involves the exposition and analysis of the selected work, supported by arguments and theories developed by authors such as Carol Adams (2018), Hannah Arendt (2010), Peter Singer (2010), Sônia T. Felipe (2012), among others.pt_BR
dc.format.mimetypeapplication/pdfpt_BR
dc.languagePortuguêspt_BR
dc.publisherUniversidade Estadual de Maringápt_BR
dc.rightsopenAccesspt_BR
dc.subjectBazterrica, Agustina, 1974-. Cadáver exquisitopt_BR
dc.subjectEspecismopt_BR
dc.subjectÉtica animalpt_BR
dc.subjectCanibalismopt_BR
dc.subjectDistopiapt_BR
dc.subject.ddc801.95pt_BR
dc.titleÉtica animal, canibalismo e violência institucional em Cadáver exquisito, de Agustina Bazterricapt_BR
dc.title.alternativeCadáver exquisito, de Agustina Bazterrica: agora comer carne humana é ético?pt_BR
dc.typeTesept_BR
dc.contributor.referee1Guizzo, Antonio Rediverpt_BR
dc.contributor.referee2Aguiar, Fabrício César dept_BR
dc.contributor.referee3Franceschini, Marcele Airespt_BR
dc.contributor.referee4Pagani, Jackson Josépt_BR
dc.publisher.departmentDepartamento de Teorias Linguísticas e Literáriaspt_BR
dc.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Letraspt_BR
dc.subject.cnpq1Linguística, Letras e Artespt_BR
dc.publisher.localMaringá, PRpt_BR
dc.description.physical143 f.pt_BR
dc.subject.cnpq2Letraspt_BR
dc.publisher.centerCentro de Ciências Humanas, Letras e Artespt_BR
Aparece nas coleções:3.6 Tese - Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH)

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